sábado, 5 de março de 2011

Uma canção é pra isso


Quando eu era criança uma das horas que eu mais gostava na escola (depois da hora do recreio, lógico), era a hora de cantar. Todas as vezes antes da aula começar, formava-se um pequeno aglomerado na frente da sala, onde nós cantávamos graciosamente aquelas musiquinhas infantis, acompanhadas de coreografias inventadas sabe-se lá por quem, mas que toda pessoa que teve infância conhece.  Eu nunca fui muito afinada –  era notável que eu não tinha a menor aptidão para ser cantora – e nem me questionava muito sobre o sentido daquelas canções (nenhum, diga-se de passagem). Mas a verdade é que elas tinham uma forma incrível de me alegrar, e eu gostava de gritar bem alto que o sapo não lavava o pé. 
Quinze anos depois, e a história ainda acontece. Não que eu cante antes das aulas começarem, ou goste de “O sapo não lava o pé”. Entretanto, há novas canções que, mesmo não sendo as de outrora, me alegra quase da mesma forma. Quase, por que agora elas fazem isso de um jeito diferente. Hoje eu consigo perceber um certo poder que se encerra nas letras de músicas. É espantoso como é possível se encontrar dentro de canções que foram compostas anos atrás, ou ainda há pouco tempo, mas por pessoas totalmente desconhecidas por nós. É engraçado como elas te pegam, mesmo quando você não quer, e te levam pra uma jornada interna.  É curioso o fato de que podemos até encontrar respostas dentro de versos que chegaram por acaso aos nossos ouvidos. Existem canções que tem a força de te despertar involuntariamente pra alguém, pra um momento, pra um sonho
As canções estão aí pra isso, pra se relacionar com você.  Uma canção é pra trazer calor, deixar a vida mais quente! Pra puxar o fio da paixão no labirinto da gente. Elas te conduzem pra lugares que você gosta, ou pra lugares que você não quer ir. Elas se parecem com o ontem, com o hoje,  se parecem até com o amanhã. Mesmo quando não fazem sentido, ainda fazem. Elas são misteriosas, místicas. Podem ser tão leves ao ponto de te tomar pela mão sem você perceber. Podem ser tão pesadas ao ponto de te fazer sucumbir ás lágrimas. Nós sabemos que são. Elas se adaptam fácil à estação e estão aos montes por aí, encontrando vítimas.
A questão é que eu poderia dizer que seria quase impossível encontrar um único ser que nunca tenha tido uma relação intrínseca com alguma música. É impossível não se render ao efeito de uma letra que fala tão bem por você. Que fala sobre sentimentos que nem você conhecia, mas que de repente, o encontrou dentro de si. Canções fazem de desconhecidos, conhecidos. Elas descomplicam e em contrapartida confundem mais ainda. Elas se fazem presentes nos mais improváveis momento e em contrapartida, os mais improváveis momentos se tornam canções. E eu, tão envolvida nessa aventura,  optei por parafrasear livremente neste humilde espaço, os possíveis encontros e desencontros que existem  no interior desses milhões de versos harmoniosos espalhados por aí, versos esses, que se encaixam perfeitamente bem em cada segundo da vida. Se sente perdido? Ouça uma ou duas músicas. Você pode ser se encontrar no avesso de uma delas.