O celular tocou. Ele ignorou. Continuou caminhando, observando as poucas pessoas que por ali passavam. Todos muito bem agasalhados, protegendo-se do vento frio que percorria a Big Apple agora. Sentou-se então, em um banco próximo e colocou as mãos por dentro dos bolsos do casaco, em uma tentativa de aquecê-las. Ao longe, escutou uma canção que dizia “Onde você estava, quando tudo estava desmoronando...?”. De repente, um vazio o entorpeceu. Lembrou-se dela. Ele fixou o olhar em uma árvore próxima, sem realmente observá-la.
Não sabia ao certo em que pensar. Um turbilhão de pensamentos invadia a sua mente, e ele sentiu um estranho aperto no peito. Ele sempre soube que iria perdê-la, e que esse momento o encontraria onde quer que ele estivesse. E o que mais o afligia era saber que a culpa, toda a culpa, era única e exclusivamente dele. Doía saber que não haveria mais encontros em segredos, que não ouviria mais o riso bondoso dela, e que nem a ouviria recitar “Soneto de Fidelidade” enquanto ele a olhava. Não mais. Fechou os olhos e imaginou por um momento, o que ela estaria fazendo agora. Depois, tentou imaginar o que eles estariam fazendo agora se ele não tivesse estragado tudo. Esse pensamento o fez sentir-se inepto.
Ele pensou por um momento, no quanto tinha pra dizer quando se encontraram pela última vez, e lembrou-se de que só o que conseguiu, foi pedir que ela o perdoasse, e em contrapartida, ela o pedira para deixá-la ir. “Acabaram-se as tuas chances”, ela dissera. E, ao lembrar dessas duras palavras, ele quase sucumbiu ás lágrimas. Agora, pensou ele, tudo o que restava era uma ideia utópica de que ela o perdoaria, e de que tudo voltaria a ser como antes.
O celular tocou mais uma vez. Ele ouviu o som abafado do toque, e sentiu a vibração através do bolso. Ignorou novamente. Ficou sentado naquele banco desconfortável, com sua solidão inabalável. Só quando os primeiros pingos de chuva começaram a cair, ele decidiu ir. Quando passava pelo Central Park, avistou um pequeno vulto solitário. E era naquele vulto, que ele tinha pensado a tarde inteira. Sentada, ela tinha um celular em mãos. Rapidamente ele retirou o próprio celular do bolso, e observou o nome de quem o ligara durante toda a tarde. De repente, a ideia de que tudo um dia voltaria a ser como antes, já não mais era tão utópica assim.
Que lindo texto!! Adoreei!!
ResponderExcluirParabéns pelo blog, é muito fofo!!
Beijos
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